sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

ARTE TUMULAR- Cemitério da Consolação- São Paulo



upload via:flickr

*A Interrogação* está no túmulo de Moacyr Piza, jovem advogado e escritor
que viveu um intenso e trágico romance com Nenê Romano, uma linda cortesã
de luxo. A escultura, em granito, também é de Francisco Leopoldo e Silva.
Segundo contam, foi colocada no túmulo de Piza aproximadamente um ano após
sua morte, ocorrida em 1923. O advogado de 32 anos matou-se com um tiro,
dentro de um táxi, após matar a amante.

“Nenê Romano era o nome pelo qual se conhecia Lina Machiaverni, imigrante
italiana cuja família chegara ao Brasil quando tinha dois anos de idade.
Fora costureira no Brás. Moça lindíssima, acabou se tornando conhecida
cortesã, companhia de homens famosos e poderosos. Era odiada pelas mulheres
da elite. Num corso de carnaval, na avenida Paulista, jovem mancebo de
família rica jogou-lhe um bilhete, o que foi percebido pela namorada, de
uma das mais ricas famílias de fazendeiros de café. A moça ajustou dois
jagunços da fazenda da família, em Ribeirão Preto, para que dessem um
corretivo à cortesã. Nenê Romano levou uma navalhada no rosto num atentado
de 1918, que a desfiguraria. Apresentou queixa e iniciou processo contra a
mandante do crime. Mas o processo foi ficando pelas gavetas, pois era ação
de prostituta contra gente poderosa.
“Nenê, então, contratou Moacir Piza, advogado já famoso, para que
desemperrasse o processo. Moacir Piza se apaixonou por ela. Estiveram
juntos por dois anos na boemia, namorando em hotéis e táxis. Mas Nenê
começou a sair novamente com outros homens, desinteressou-se por ele, que
se tornara homem relapso em relação ao trabalho como jornalista e advogado.
O namoro acabou. Moacir Piza foi procurá-la na noite de 25 de outubro de
1923, na tentativa de reatar o relacionamento. Ela estava de saída. Ele
insistiu para que ela entrasse no táxi, para conversar. Na esquina da
avenida Angélica com a rua Sergipe matou-a com quatro tiros e matou-se em
seguida, caindo sobre ela. A vingança da namorada do almofadinha que
cortejara Nenê Romano já era indicação de que, entre as mulheres, culpada
era a mulher, em casos assim. A escultura de Francisco Leopoldo e Silva, em
forma de interrogação, também expressa a mentalidade da época em relação a
mulheres como Nenê Romano: por quê? Que sentido tinha o suicídio de um moço
de família antiga, parente de políticos, advogado estabelecido, boêmio
conhecido, de vida alegre e de bem com a vida, que se apaixonara por uma
pobre proletária do Brás, garota de programa de ricos e poderosos?”
fonte do texto: blog Sandro Fortunato
FOTO BY LESLIE SZABO

2 comentários:

cris disse...

foi em 1923, mas parece noticia que sai no jornal quase toda semana, tão atual...infelizmente.

Querida, feliz 2012 pra ti, que seja iluminado e brilhante como você!

Beijão!

clodovilmemoriabrasil disse...

Lindo Jazido, história interessantíssima.


Danian.